“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz; não vo-la dou como dá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se assuste”
João 14;27
Se Jesus tivesse vindo destruir a Lei trazida por Moisés, a paz não seria o objeto de sua aspiração. Toda a construção espiritual executada por milhares de anos, antes de sua vinda, não teria sentido. Tudo foi preparado para que Ele pudesse vir, para que pudéssemos recebê-Lo, com entendimento, se estivéssemos num nível possível, já naquele tempo, sob as bases do amor.
O desafio maior, nem foi o de eliminar, de vez, as aflições externas e puramente humanas, mas a causa dessas aflições. Eliminá-las, não como um passe de mágica, como esperavam e esperam os mais apressados, mas seguindo um processo de assimilação pelo coração humano, da sabedoria divina. Como a natureza do homem pouco peneirava o sutil e o sublime, ainda estamos no processo de separação do que é grosseiro e que precisa ser ainda descartado. E só a moenda atroz da vida, pelos desafios que ela apresenta, pode possibilitar ao homem, o despertar de suas potencialidades, de sua luz, de seus talentos, de sua integral e latente capacidade de amar, com toda pureza de sentimentos.
Se ainda temos inimigos, de onde surgiram? De nós mesmos! Eles emergem junto à nossa intolerância, à nossa falta de indulgência, amor e completude. Quando não mais aflorarem, as pedras do egoísmo teremos conquistado a mesma paz deixada pelo Cristo.
Nós não preparamos um lugar digno para Ele na sua chegada, mas Ele prepara, todo o tempo, um lugar para nós, porque Seu amor é puro, e com Ele só se sentirá em paz quem estiver em sintonia com a mesma faixa vibratória do que é limpo e afinizado com a superioridade de seu excelso Espírito. Nossa preparação para recebê-lo, agora numa maior dimensão e responsabilidade, é espiritual.
A paz será alcançada a exemplo da paz que se deveria buscar no Natal, uma paz desarmada, com a intensão de suprir, não as necessidades materiais, mas as de renovação do que é justo e bom para todos a partir de nós, como focos de luz.
Quando celebrarmos, a última ceia do ano, em família, no encontro com aqueles que devotamos a vida, o tempo, e o sentimento; que tenhamos em mente que a “separação” futura assusta, mas não aterroriza porque Ele, ao partir, prometeu voltar consolando, mostrando que a vida, de todos nós, se eterniza. E os que entenderem o roteiro divino, pararão de se afligir, porque Ele mostrou o único caminho, o caminho da paz, não caminhos tortuosos e sem luz, como nos mostra o mundo. Mostrou um caminho até para para os que preferem a desordem, as ilusões das mentiras mundanas, pois eles quererão voltar para encontrar uma paz inteira e interna da harmonia com Deus. Um caminho, não de um dia apenas, ou de um dia escolhido do ano, mas um caminho de paz, de todo o tempo de uma vida, preenchendo todo nosso vazio com o Evangelho em ação.
Ele deixou a paz ao continuar conosco, principalmente junto àqueles em que a paz se irradia do coração.
A paz do Natal que se aproxima é apenas uma noite de luz, mas há tantas outras estrelas que brilham durante todas as outras noites. Como diz Emmanuel “Quem fita o céu de relance, sem contemplá-lo, não enxerga as estrelas”. Quem fita a vida de maneira particular, sem apreciar a humanidade como um todo, não desenvolve a boa vontade e o prazer de servir. Não desenvolve a própria paz.
A partida de Jesus para os apóstolos podia ser ainda motivo de medo, mas partir e voltar, como eles puderam testemunhar, é o resultado de uma constante renovação da paz buscada.
A paz que buscamos, que se fortalece no amor ao próximo para que a paz aconteça , é alcançada aos poucos, até o limiar de uma fraternidade universal, sem paradas, sem adiamentos, se mantivermos acesa a luz da nossa própria consciência.
Muita paz, mas acima de tudo, “muitas pás”, como dizia o Chico!
Artigo enviado pela confreira Graciley Menezes

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